A casa, e depois? O que fica para lá da obra
Há uma estranha convenção na arquitetura: a casa parece terminar no dia em que a obra acaba. Entregam-se as chaves, corrigem-se os últimos defeitos, faz-se a fotografia e o edifício entra numa espécie de estado definitivo. Nas publicações, quase sempre o conhecemos assim: vazio ou cuidadosamente habitado, sem marcas, sem avarias, sem improvisos. Tudo está no sítio. Tudo funciona.
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Mas é precisamente nesse momento que a casa começa.
Em “Viver uma casa”, Álvaro Siza descreve-a como uma máquina complicada onde todos os dias alguma coisa se estraga. Uma torneira, uma dobradiça, um esgoto, uma gaveta, uma cortina. O jardim cresce mais depressa do que o tempo disponível para o tratar. A água entra onde não devia, os materiais envelhecem e os objetos acumulam as marcas do uso. “Morar numa casa, numa casa autêntica, é um trabalho de tempo inteiro.” A descrição tem humor, mas está longe de ser apenas........
