“Falar caro” sai muito caro ao país
Nas últimas semanas, temos assistido às consequências devastadoras de uma sucessão de tempestades, que deixaram muitos portugueses sem casa, sem os seus negócios, sem os seus postos de trabalho, sem luz, isolados, e, muitos, sem estradas para se deslocarem. Até agora, morreram 16 pessoas.
Nos meios de comunicação social, nomeadamente na televisão, são inúmeros os especialistas, cientistas, membros da Proteção Civil, membros do Governo, deputados e demais comentadores profissionais que são chamados a falar sobre os temporais e as suas consequências.
De um modo geral (digo assim, em vez de “todos”, para não ser injusta), estes comentadores têm várias características em comum, as quais são partilhadas por muitos dos jornalistas: focam-se mais nos problemas do que nas soluções e perdem demasiada energia na busca de culpados. Afinal, o apontar de dedos sempre vendeu bem, desde o tempo em que se julgavam pessoas no pelourinho.
Mas há outras características interessantes na forma como estes especialistas comunicam, uma das quais é a linguagem críptica que usam: “binómios cinotécnicos”, “taludes”, “ciclogénese explosiva”, “mitigação” ou “caudal”, entre muitos, muitos outros.
Seria importante que os especialistas convidados percebessem que, quando estão num órgão de comunicação social, vão falar para pessoas que........
