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Sempre tive muita curiosidade em saber por que as pessoas se deixam levar por teorias da conspiração. Tanto que até formulei uma hipótese depois de assistir ao documentário A Terra é Plana. Para mim, quem acredita numa proposição meio sem pé nem cabeça — como a terra ser plana em vez de redonda —, primeiro, não acredita na ciência em si (ou não aceita que a ideia não faz sentido cientificamente), e, depois, crê que sabe mais do que os outros.
Ou seja, o amigo, o vizinho ou o parente, todo mundo que não pensa como ele, estaria sendo enganado. Isso faz com que algumas pessoas, principalmente as mais inseguras, se sintam muito empoderadas, porque acham que descobriram algo que os outros não sabem. Eu não sou religiosa e, na minha opinião, acontece a mesma coisa com as pessoas que têm fé e teimam em impor sua crença sobre os outros.
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Fiquei sabendo da Navalha de Ockham por meio de uma publicação genial no Instagram. O postulado direto me conquistou de imediato: em condições semelhantes, a resposta mais simples a uma questão provavelmente é a mais correta.
Esse post da rede social fala da probabilidade de as pirâmides encontradas em diversos países — e, portanto, construídas por indivíduos que não sabiam da existência uns dos outros — terem sido erguidas por alienígenas, em vez de a possibilidade de os humanos terem evoluído de maneira similar em lugares diferentes da Terra.
A história dos aliens foi divulgada pelo suíço Erich von Daniken no livro Eram os Deuses Astronautas, de 1968, que fez um imenso sucesso nas décadas finais do século passado. A chegada do homem à Lua no ano seguinte, tornando claro que viagens interplanetárias eram possíveis, e a aparente facilidade da explicação fez com que muita gente acreditasse nela. Mas Daniken não era cientista, trabalhava como gerente de hotel e chegou a ser preso várias vezes por fraudes e roubos.
Na verdade, a afirmação de que extraterrestres teriam chegado à Terra, passado por várias regiões e ensinado às pessoas da época como construir estruturas gigantes, é muito mais estranha do que a explicação científica: em momentos similares da evolução, provavelmente por tentativa e erro, nossos antepassados descobriram que o triângulo era a figura mais estável para certos tipos de construção.
Adorei conhecer a Navalha de Ockham porque considero as teorias da conspiração e outras “ideias fascinantes” muito criativas — mesmo que, em geral, equivocadas. Este texto da BBC conta como filósofos e cientistas, ao longo do tempo, repercutiram a proposta do monge franciscano do século XIV conhecido como William de Ockham, vila medieval do sul da Inglaterra, sempre postulando que o caminho mais simples, especialmente para a ciência, tende a ser o mais correto.
Claro que a Navalha de Ockham é um princípio inicial para conduzir nosso pensamento. Não devemos aceitar sem questionamentos explicações simplistas — e muitas vezes erradas. Principalmente em questões mais complicadas, como a teoria da evolução, ou quando buscamos soluções para problemas complexos, normalmente difíceis de serem resolvidos.
De qualquer maneira, a proposta da Navalha de Ockham pode nos ajudar a desconfiar de explicações muito "escalafobéticas" para os mais diversos assuntos.
Se você gosta dessas filosofices, sugiro que dê uma olhada no perfil do designer gráfico Carlos Ruas , que usa quadrinhos para provocar reflexões e divulgar conhecimentos científicos de maneira leve, divertida e fácil de entender.
