Governo: um mandato não se desperdiça
Após as eleições presidenciais e uma campanha intensa, é tempo de reconhecer factos incómodos. Primeiro, que existe uma frustração crescente com a ineficácia e com reformas tímidas. Segundo, que o sistema partidário está numa encruzilhada. Destes pontos, resultam três lições simples: há um desconforto quanto à representação política e uma maior mobilidade entre pessoas e partidos; quando o conforto da alternância desaparece, abre-se espaço para a coragem; e gastar capital político numa reforma que pode não passar é sempre melhor do que não tentar.
O Governo da AD não tem maioria, mas também não enfrenta uma alternativa viável. Pela primeira vez na nossa democracia coexistem três blocos — PS, Chega e AD — sem que nenhum domine. O Governo só cai com uma coligação negativa entre PS e Chega, por agora pouco provável. O que vai, então, a AD fazer com o tempo?
Este impasse cria, paradoxalmente, uma oportunidade única para a AD. Há momentos em que o peso da História se impõe: se não for agora, quando? Se não forem os governantes de hoje, quem? O pior que........
