Nem tudo tem de ser fácil e confortável
No mundo moderno desenvolvido, vivemos na era da conveniência extrema – nunca foi tão fácil eliminar o esforço, o desconforto e a espera. Conseguimos encomendar uma refeição com dois cliques, chamar um carro sem sair do lugar, pedir respostas imediatas à inteligência artificial, aquecer ou arrefecer a casa à temperatura exata que queremos e receber praticamente tudo à porta de casa. Também escolhemos o elevador em vez das escadas, conduzimos distâncias que poderíamos fazer a pé, encomendamos jantar em vez de cozinhar e recorremos ao telemóvel ao mais pequeno momento de tédio.
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Isto é um espelho dos nossos instintos primitivos a funcionar. Evitar o desconforto, poupar energia e procurar recursos abundantes fazia todo o sentido durante a maior parte da nossa história evolutiva, num ambiente profundamente diferente do atual. O esforço físico fazia parte do quotidiano, o alimento exigia trabalho para ser obtido, o desconforto era inevitável e os períodos de abundância eram raros e imprevisíveis. Foi neste contexto adverso que o nosso cérebro evoluiu.
Continuamos por isso programados para escolher o caminho de menor resistência. A diferença é que, hoje, esse caminho está disponível vinte e quatro horas por dia. Pela primeira vez na história, podemos viver praticamente sem sermos obrigados a fazer esforço, a esperar, a........
