Portugal perante a extrema-direita: um entendimento democrático entre PS e AD
Portugal vive um momento político em que a afirmação da extrema-direita, representada pelo Chega, coloca desafios que não podem ser ignorados pelas forças democráticas.
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A ambição de chegar ao primeiro lugar nas próximas eleições e de assumir a responsabilidade de formar governo faz parte da estratégia política desse partido.
Perante essa realidade, importa perguntar se as forças políticas que defendem os valores constitucionais da democracia estão preparadas para agir com sentido de responsabilidade, para além das suas divergências partidárias.
A questão não é saber se o PS e o PSD/CDS devem deixar de ser adversários políticos. Devem continuar a sê-lo. A questão é perceber se, perante determinadas ameaças à qualidade da democracia e perante problemas sociais que exigem respostas urgentes, conseguem encontrar um espaço de entendimento que coloque o interesse nacional acima do cálculo eleitoral imediato.
O Chega e a estratégia de confronto político
O Chega tem procurado afirmar-se através de uma política de confronto, explorando o descontentamento social, a insatisfação com o funcionamento das instituições e as dificuldades sentidas por muitos portugueses. A contestação ao Governo da AD e a pressão política sobre os seus responsáveis, incluindo o ministro da Administração Interna, integram a disputa política normal de uma democracia.
Mas importa distinguir a fiscalização legítima do Governo da transformação permanente de todos os conflitos numa crise política. A exigência de responsabilidade governativa é necessária; a exploração sistemática da instabilidade como objetivo político merece ser debatida e contrariada através de argumentos, propostas e resultados concretos.
A melhor resposta democrática não consiste em imitar o discurso da extrema-direita, nem em transformar o Chega numa justificação para todas as insuficiências dos partidos tradicionais. Consiste em demonstrar que a democracia é capaz de resolver os problemas reais dos cidadãos e de responsabilizar quem exerce o poder.
A habitação e a insatisfação social não podem esperar
Entre os problemas que mais inquietam a sociedade portuguesa encontra-se a habitação. Os preços das rendas, a dificuldade em encontrar casas disponíveis e a impossibilidade de muitos jovens comprarem a sua primeira habitação são fatores de insegurança, desigualdade e perda de confiança no futuro.
Não basta reconhecer o problema em períodos eleitorais. É necessário construir........
