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A vela de baunilha e os vícios de escrita

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26.06.2026

Os textos que circulam nas redes sociais têm agora uma estranheza que só se identifica depois de instalada.

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Os textos estão corretos, as ideias parecem profundas. Tudo demasiado certinho. Por qualquer razão que demora a tornar-se óbvia, tudo soa ao mesmo.

É como entrar em casas diferentes e encontrar a mesma vela de baunilha acesa em cima da mesma prateleira de madeira clara com a mesma citação emoldurada na parede. Decoração, sim. Personalidade, nenhuma. Talvez noutra divisão?

O ternário, o "Há" e o "mas"

Tudo começa, quase sempre, com grupos de três. "Claro, direto e eficaz." "Humano, próximo e autêntico." "Informar, inspirar e transformar." Três elementos em fila, cadenciados como marcha, previsíveis como um pôr do sol de verão num cartão postal. O sistema ternário não é uma invenção da Inteligência Artificial (IA), é óbvio. A IA apenas não aprendeu que o excesso de simetria anestesia e enjoa.

Depois, vem o "Há". "Há livros que nos transformam." "Há momentos em que precisamos de parar." "Há escritores que encontram a voz tarde." Esta abertura imita o ensaio literário e tem qualquer coisa de tarde preguiçosa e café frio. A IA usa-a em........

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