Acesso ao ensino superior 2026: Anda comigo ver os aviões...
Os resultados da 1.ª fase de acesso ao ensino superior de 2026 trouxeram novamente para o centro da atenção pública as médias de entrada, os cursos mais procurados e, naturalmente, os cursos que deixam vagas por preencher. Entre os dados que mais chamam a atenção está a extraordinária procura por Engenharia Aeroespacial, que surge entre as formações com as notas de candidatura mais elevadas em diferentes instituições do país. Curiosamente, e em contraste, encontramos uma realidade muito diferente em algumas formações da área da Física e da Engenharia Física, apesar da proximidade entre várias de suas bases científicas e tecnológicas.
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Não pretendendo, naturalmente, discutir qual dos cursos é melhor, tampouco questionar as escolhas daqueles que optam por Engenharia Aeroespacial, a questão que estes números suscitam é outra: O que nos dizem estas escolhas sobre a capacidade dos estudantes para explorar, comparar e decidir e sobre o apoio neste âmbito, que lhes prestamos?
Tomar decisões de carreira é um processo complexo e dinâmico, resultante de diversos fatores. Intervêm interesses, competências, valores, expectativas, experiências, identidade, aspirações, condições e circunstâncias do contexto familiar e social e, naturalmente, as representações que cada pessoa constrói sobre o mundo académico e profissional.
Os resultados das escolhas dos jovens mencionados podem ser um exemplo de que os jovens não escolhem apenas com base nos seus interesses, mas também com base em outros aspetos valorativos que lhes permitem aceitar ou excluir possibilidades dentro de uma mesma área de interesse. Entre esses outros aspetos podem estar, por exemplo, os contextos e estilos de vida desejados.
De facto, o autoconhecimento em torno dos nossos interesses, competências e valores de vida deve ser considerado, mas é igualmente importante perceber que este processo não acontece num vazio. Não escolhemos apenas a partir de quem somos ou da nossa perceção disso. Escolhemos também a partir daquilo que conseguimos conhecer sobre o mundo e sobre as possibilidades que esse mundo nos oferece e onde nos imaginamos. E é aqui que a complexidade do processo de exploração de carreira assume um papel fundamental. Um jovem pode ter interesses muito claros, reconhecer as suas competências e até ter ideia do que valoriza. Mas se........
