O céu encheu os pulmões naquela praia
Ainda é de noite e a chuva bate com violência no vidro. Os faróis do pequeno carro dão a visibilidade possível. Junto ao traço branco, vultos deitados surgem com bastante frequência. São copas grandes que se cansaram de estar sempre em pé. Troncos de madeira jovem e velha já decepados pela mão humana parecem múmias. Os automóveis não podem parar. Vou atento às notícias. São ainda escassas. Mas na rádio sabemos que já há repórteres a caminho. Para Leiria. Para Coimbra. Para Soure. Para Alcácer do Sal. Para junto de um leito do rio que ameaça saltar a cerca. Próximo da aldeia que não tem água nem luz. Ouvir os presidentes. As queixas dos empresários. Ouvir para contar.
Sinto borboletas na barriga. Como quando era estagiário. Um nervoso miudinho. Sei que é mais uma tragédia como tantas outras que já ficaram para trás. Mas o raio das "borboletas"........
