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Uma oportunidade remota

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26.04.2026

A literatura antiga descreve como conturbada a relação entre filhos homens e pais; já bem mais amena e cordial é aquela entre mãe e filhos, e melhor ainda com as filhas.

Os laços com a mãe iniciam-se como fisiológicos. O filho é um desdobramento do corpo da mãe e, com a matéria, acaba em parte se transferindo a alma. O pai não participou, não viveu da criação física do ser humano, emprestou apenas uma semente que fecunda o óvulo. O sangue, o leite, os cuidados fundamentais vêm da mãe. Em determinadas espécies animais, o pai, depois da inseminação, desaparece. Também não existe casamento, apenas união nesse momento. Raras são as espécies em que o pai tem participação no crescimento do filho. A família é uma instituição humana, uma invenção relativamente recente.

Já na gravidez a mãe desencadeia um crescimento de laços que se ampliam com o óvulo inseminado, crescendo para uma entidade que acaba num adulto em potencial, um ser excepcional.

Nessa relação de trilhões de células vivas, de detalhes infinitesimais, de empréstimos e trocas incontáveis se dá o ser humano. Na expansão se realizam laços amorosos e........

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