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Petróleo pesado

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11.01.2026

Ter levado a economia venezuelana ao fracasso não é apenas culpa do governo chavista e de sua incompetência, tradicional em ditaduras sul-americanas. A Venezuela, apesar de constar como a maior detentora de reservas petrolíferas mundiais, extrai petróleo extrapesado com características inferiores ao Brent e ao texano (leve) produzidos mundo afora. Para vender o venezuelano, o desconto em relação ao Brent chega a US$ 20 por barril. Hoje, com o Brent cotado a US$ 63, não há quem pague mais do que US$ 43 pelo venezuelano. Paralelamente, o custo extrativo do extrapesado é bem mais alto do que o do petróleo do Mar do Norte, da Arábia, do Texas e da África em geral. Trata-se de um óleo impróprio para um refino eficiente de produtos nobres como gasolina e diesel.

O petróleo venezuelano (especialmente o da Faixa do Orinoco) é de difícil bombeamento: tem aspectos de pasta fria de amendoim, com alta acidez e enxofre. Isso exige equipamentos especiais e refinarias sofisticadas para processá-lo. Para transportar esse óleo pesado por oleodutos, é necessário misturá-lo com diluentes (nafta), o que adiciona um custo de cerca de US$ 15 por barril antes mesmo de chegar ao porto. Provoca, ainda, maior deterioração da infraestrutura, e seu custo extrativo só se justificaria com o barril cotado acima de US$ 80, conforme se apura na literatura setorial.

O quadro é bem pior do que se possa imaginar neste momento. Calcula-se que a recuperação e a modernização da infraestrutura petrolífera venezuelana possam custar mais de US$ 100........

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