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Sexta-feira da Paixão: vocês ainda se desejam como antes?

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03.04.2026

Existe algo de poeticamente provocante em falar sobre desejo justamente em uma Sexta-feira da Paixão. Porque a paixão, no imaginário de tanta gente, sempre parece incendiar. Ela chega quente, urgente, cheia de fome, de curiosidade, de fantasia. No começo de um relacionamento, o desejo costuma ter esse rosto mais espontâneo. Ele aparece quase sozinho, sem muito esforço, como quem invade a cena e toma conta do corpo. Uma mensagem já arrepia. Um olhar já acende alguma coisa. Um beijo pode ser suficiente para despertar um universo inteiro. É como se o outro trouxesse novidade, mistério e descoberta, e isso, por si só, já fosse afrodisíaco.

Mas o tempo faz uma dança diferente com o amor. E é justamente aí que muitos casais se confundem. Porque, quando a paixão inicial diminui de intensidade, muita gente acredita que o desejo acabou, que a atração sumiu, que há algo errado na relação ou, pior ainda, que há algo errado consigo. Só que nem sempre é assim. Em muitos relacionamentos, o desejo não desaparece. Ele apenas muda de linguagem. Sai de cena aquele desejo espontâneo, que chega pronto, e começa a ganhar espaço o desejo responsivo, aquele que não vem antes de tudo, mas nasce durante. Ele desperta quando existe presença, toque, tempo, contexto, segurança, brincadeira, descanso, intimidade e novidade. Ou seja: há pessoas que primeiro sentem vontade para depois se aproximar. E há pessoas que precisam primeiro se aproximar para então sentir vontade. Entender isso pode salvar muitos relacionamentos de sofrimentos desnecessários.

Vejo muitos casais sofrerem porque ficam esperando, depois de anos juntos, o mesmo tipo de desejo do início. Mas um amor que amadurece não se sustenta apenas no susto da novidade. Ele pede cultivo. Pede intenção. Pede imaginação. Pede espaço para que o erótico continue respirando dentro da relação. E o erótico não vive bem onde só existe rotina, obrigação, cansaço e pressa. Ele precisa de frescor. De presença. De certa ousadia sensível. Precisa de um campo onde o casal possa se reencontrar não apenas como parceiros de tarefas, boletos e responsabilidades, mas como homem e mulher, como amantes, como duas pessoas ainda capazes de se surpreender uma com a outra.

E quando eu falo de novidade, não estou falando apenas de ir jantar no mesmo restaurante toda semana, quase como quem cumpre tabela. Estou falando de viver experiências novas de verdade. Conhecer culturas novas. Fazer uma viagem. Explorar novos cenários do lado de quem você ama. E também se permitir viver algo diferente a dois, como uma massagem tântrica para casais. Se isso ainda parecer intenso demais para vocês, um SPA Day já pode ser uma porta linda de entrada. Porque, muitas vezes, o desejo não precisa de algo extravagante. Ele precisa de presença, de surpresa e de um espaço onde o casal possa se reencontrar com frescor, curiosidade e verdade.

A novidade tem esse poder quase mágico: ela tira o relacionamento do automático e devolve ao casal a sensação de descoberta. E, muitas vezes, o desejo volta justamente aí, quando o

outro deixa de ser apenas o conhecido de sempre e volta a ser também um território vivo, pulsante, curioso. Quando o casal se vê em outro cenário, em outro clima, em outro estado de presença, algo se reorganiza por dentro. O olhar muda. O toque muda. A escuta muda. E o amor, que andava vestido de rotina, volta a ter perfume de mistério.

Atendo vários casais que buscam justamente isso: presentear a parceria com uma experiência a dois para viverem algo novo pela primeira vez. E confesso para vocês que é lindo de ver. Casais com mais de vinte anos de jornada se permitindo uma vivência diferente com o mesmo brilho nos olhos, a mesma timidez gostosa e a mesma curiosidade de dois adolescentes descobrindo o mundo. Existe algo profundamente comovente quando duas pessoas, depois de tanto tempo, ainda escolhem se encontrar de um jeito novo. Ainda escolhem aprender. Ainda escolhem tocar, olhar, respirar e sentir com presença. Não é só sobre sensualidade. É sobre vitalidade. É sobre lembrar que o amor amadurecido não precisa ser morno. Ele pode ser profundo e vivo ao mesmo tempo.

Talvez um dos maiores segredos dos casais duradouros não seja manter a chama acesa sozinha, mas aprender a reacendê-la juntos. E, muitas vezes, isso começa com movimentos simples, mas verdadeiros. Tirar o relacionamento do piloto automático. Criar um ambiente bonito em casa. Acender uma vela. Colocar uma música. Tocar sem pressa. Conversar sobre o que cada um sente falta. Trocar o celular por presença. Fazer uma pergunta nova. Sair da mecânica do sempre igual. Perguntar ao outro: o que faria você se sentir mais vivo ao meu lado? O que nós nunca fizemos e poderíamos viver juntos? Onde foi que nos perdemos na correria? O desejo gosta de honestidade. Gosta de espaço. Gosta de presença. E gosta, sobretudo, de gente que topa continuar descobrindo.

Talvez amar, depois de muito tempo, seja justamente isso: não exigir que o desejo continue igual ao do começo, mas aprender a escutá-lo em sua nova forma. Porque o desejo maduro nem sempre grita. Às vezes ele sussurra. Às vezes ele pede contexto. Às vezes ele quer descanso antes de querer entrega. Às vezes ele precisa de beleza, de novidade e de reconexão. E isso não é menos apaixonante. Isso é amor com raiz. Amor com consciência. Amor com profundidade.

Então, nesta Sexta-feira da Paixão, eu quero te deixar um convite íntimo: não espere a paixão do início voltar exatamente do mesmo jeito. Criem, juntos, uma nova forma de se desejar. Tenham experiências novas. Saiam do previsível. Conheçam o mundo um através do outro outra vez. Porque talvez o amor mais bonito não seja aquele que permanece igual ao começo, mas aquele que aprende a se reinventar sem perder a ternura, o encanto e a vontade de continuar escolhendo, todos os dias, a melhor companhia possível: um ao outro.

E se vocês sentirem que está na hora de viver algo novo a dois, eu quero deixar um convite. No Espaço Mani, oferecemos experiências para casais que desejam sair da rotina, despertar novamente o desejo e se reencontrar com mais presença, intimidade e verdade. Porque, às vezes, tudo o que o amor precisa é de um espaço seguro para voltar a pulsar. Saiba mais.

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