Sexta-feira da Paixão: vocês ainda se desejam como antes?
Existe algo de poeticamente provocante em falar sobre desejo justamente em uma Sexta-feira da Paixão. Porque a paixão, no imaginário de tanta gente, sempre parece incendiar. Ela chega quente, urgente, cheia de fome, de curiosidade, de fantasia. No começo de um relacionamento, o desejo costuma ter esse rosto mais espontâneo. Ele aparece quase sozinho, sem muito esforço, como quem invade a cena e toma conta do corpo. Uma mensagem já arrepia. Um olhar já acende alguma coisa. Um beijo pode ser suficiente para despertar um universo inteiro. É como se o outro trouxesse novidade, mistério e descoberta, e isso, por si só, já fosse afrodisíaco.
Mas o tempo faz uma dança diferente com o amor. E é justamente aí que muitos casais se confundem. Porque, quando a paixão inicial diminui de intensidade, muita gente acredita que o desejo acabou, que a atração sumiu, que há algo errado na relação ou, pior ainda, que há algo errado consigo. Só que nem sempre é assim. Em muitos relacionamentos, o desejo não desaparece. Ele apenas muda de linguagem. Sai de cena aquele desejo espontâneo, que chega pronto, e começa a ganhar espaço o desejo responsivo, aquele que não vem antes de tudo, mas nasce durante. Ele desperta quando existe presença, toque, tempo, contexto, segurança, brincadeira, descanso, intimidade e novidade. Ou seja: há pessoas que primeiro sentem vontade para depois se aproximar. E há pessoas que precisam primeiro se aproximar para então sentir vontade. Entender isso pode salvar muitos relacionamentos de sofrimentos desnecessários.
Vejo muitos casais sofrerem porque ficam esperando, depois de anos juntos, o mesmo tipo de desejo........
