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UBS analisa impacto dos juros, desempenho das bolsas e risco fiscal

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10.10.2026

Solange Srour, diretora de macroeconomia do Brasil, e Luciano Telo, diretor de Investimentos do UBS Brasil, são os entrevistados da série Minas S/A Cenários, disponível nas plataformas de O TEMPO.

O UBS é um dos maiores bancos de investimento e gestores de patrimônio do mundo. Luciano avalia que, no desempenho dos investimentos, as bolsas do mundo todo e também a brasileira têm ido bem e conseguem compensar o nível de juros, o que é positivo para o investidor.

Para Solange, o déficit fiscal é muito preocupante, mas os impactos que isso vai causar na economia são ainda mais preocupantes, porque o país está em um momento em que o endividamento público, das famílias e das empresas, está elevado.

Se os juros ficarem altos por mais tempo, podemos ter uma desaceleração significativa da dívida, via contração de crédito e aumento da inadimplência, informa Solange.

A seguir, a entrevista de Luciano Telo e Solange Srour também na íntegra em vídeo: 

Luciano, o investidor que pensa em ganhar dinheiro terá boas oportunidades em 2027?

Sempre há oportunidades. Quando o mercado muda ou está em transição, como acompanhamos nesse momento, elas aparecem. O desempenho dos investimentos, as bolsas do mundo todo e também a brasileira têm ido bem e conseguem compensar o nível de juros, o que é bom para o investidor. Para o próximo ano, vemos uma mudança com a elevação dos juros nos Estados Unidos. Mesmo assim, a projeção de ganhos gerados pelas empresas listadas na Bolsa americana para 2027 é de mais 14% em ganhos. No Brasil, o mercado de ações continua fortalecido pelo petróleo, que teve desempenho superior ao CDI.

Qual a sua expectativa para o Brasil, Luciano?

Precisamos avaliar para qual lado está indo a parte fiscal do país. Há uma série de temas que devem ser discutidos até o final do ano, após a definição do próximo presidente. Basicamente, os juros continuam relativamente altos no Brasil e no mundo. Então, na parte de renda fixa, pelo carregamento dos juros, o nível de remuneração ainda é muito alto e pode haver nova alta.

Solange, gostaria que você comentasse o estudo do UBS sobre os juros do Brasil. É um cenário realmente preocupante?

Sim. O déficit fiscal é muito preocupante, mas os impactos que isso vai causar na economia são ainda mais preocupantes, porque o país está num momento em que o endividamento público, das famílias e das empresas está superelevado. Se os juros ficarem altos por mais tempo, podemos ter uma desaceleração significativa da dívida via contração de crédito e aumento da inadimplência.

Qual seria a solução, Solange?

Controlar a dívida pública brasileira que pode superar 100% do PIB até 2031. Neste ano está em 86% do PIB. Isso passa pela gestão do gasto obrigatório, que representa 90% do gasto total do país. O próximo governo terá que mexer em Previdência, na regra do salário mínimo, educação e saúde. Se não começar por aí, a taxa de juros........

© O Tempo