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Fechamento do Estreito de Ormuz pressiona custos e pode impactar o agro mineiro

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04.03.2026

A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, acendeu um sinal de alerta para o setor agro de Minas Gerais.

Com forte dependência de diesel para a produção e o transporte, além da importação de fertilizantes, o setor pode enfrentar aumento de custos e maior pressão sobre as margens dos produtores rurais.

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas globais de escoamento de petróleo e responde por cerca de 20% de todo o volume comercializado no mundo.

O bloqueio da via, mesmo que temporário, ameaça interromper o fluxo da commodity e elevar significativamente os preços internacionais, com reflexos diretos sobre combustíveis e insumos.

Para a assessora técnica do Sistema Faemg Senar, Aline Veloso, o cenário já gera preocupação no setor agropecuário.

“A escalada do conflito consolidou uma preocupação concreta, que já vínhamos acompanhando junto à nossa Confederação da Agricultura. Eventos geopolíticos acontecem longe das nossas porteiras, mas os efeitos chegam rapidamente ao mercado e ao campo”, afirma.

Segundo ela, a alta do petróleo impacta diretamente o custo do diesel, insumo essencial para a produção, agregação de valor e distribuição de produtos agropecuários. “Se o petróleo sobe, o custo sobe junto. Além disso, o Oriente Médio é relevante na produção de fertilizantes nitrogenados, de onde vem parte dos insumos que importamos. Qualquer instabilidade prolongada pode pressionar ainda mais os preços”, explica.

Reflexos em Minas Gerais

Com forte diversidade produtiva, como café, leite, grãos, frutas e proteína animal, Minas Gerais pode sentir os efeitos no aumento dos custos de produção e na compressão das margens.

A incerteza também impacta o planejamento da próxima safra.

Outro ponto de atenção é o câmbio.

Em cenários de crise internacional, o dólar tende a se valorizar, movimento já observado no mercado. Embora isso possa favorecer as exportações brasileiras, também encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas.

“Podemos até projetar maior receita em reais, mas também teremos custos mais altos, inclusive de produtos que importamos ou que passam pela região afetada. Ainda que o fechamento de rotas logísticas seja temporário e as empresas se adequem, o conflito pode influenciar ainda mais o cenário. É um equilíbrio bastante delicado para o setor produtivo”, avalia Aline.

Orientação ao produtor

Diante do cenário, a recomendação é reforçar a gestão de risco nas propriedades. Planejamento antecipado da compra de insumos, avaliação de instrumentos de proteção de preços e atenção redobrada ao fluxo de caixa são medidas estratégicas.

“O produtor rural brasileiro já demonstrou resiliência e capacidade de adaptação em outras crises. Mas é preciso informação de qualidade, decisões técnicas e atenção governamental e diplomática para não expor ainda mais o setor produtivo a riscos”, destaca.

A assessora reforça que o Sistema Faemg Senar seguirá acompanhando os desdobramentos do cenário internacional e defendendo condições de competitividade para o agro mineiro.

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