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A lógica do tubarão

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Para incômodo de alguns familiares e visitantes eventuais, mantenho teias de aranhas estratégicas em certos cantos de minha casa. Não é desleixo, juro. A razão é que nutro há tempos uma cumplicidade especial pelos pequenos aracnídeos, após constatar inúmeros pernilongos – meus inimigos mortais – emaranhados em suas teias. Firmamos assim um pacto secreto: elas garantem a janta e eu faço de conta que não noto seus condomínios em expansão pela casa.

Acho que devemos observar mais os bichos, aprendendo com as aranhas, ursos, gatos, cachorros. São Bernardo (o santo; não o cão) dizia que “há mais nas florestas do que nos livros”, convidando-nos a um olhar mais atento às formas de vida do reino vegetal e animal, abandonando o engodo do antropocentrismo.

Todas as manhãs, alimento uma simpática turma de rolinhas de meu quintal, além de bem-te-vis e sabiás de passagem. Há uma bacia de água fresca sempre renovada e porções de painço que espalho generosamente aqui e ali. Contemplando os passarinhos, já passei a entender alguma coisa sobre os humanos. Algumas........

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