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Jujubas vermelhas

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19.06.2026

Minha esposa me deixou um bilhetinho sobre a mesa. O título “Confesso” me paralisou. Fiquei com receio de ler o resto. Seria uma delação premiada? Uma carta de despedida?

Ela havia saído de manhã mais cedo para o trabalho. Em minha paranoia, já pensava que ela tinha encontrado um jeito de dar um adeus silencioso. Já imaginava os cabides vazios.

Tomei coragem, puxei o ar, fui entoando as três confidências enumeradas:

1. Roubei jujubas vermelhas. 2. Te amo como jamais amei alguém. 3. Adoro nossa vidinha.

Suspirei pela reciprocidade do amor. É um crime passar pela existência sem amar e ser amado ao mesmo tempo ao menos uma vez.

Sou escritor, escrevo todo dia, falo na rádio, tenho coluna no jornal, mas nunca alcancei a síntese de uma cumplicidade a dois desse bilhete de Beatriz. Nunca consegui me igualar à autenticidade dessas três linhas, reunindo........

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