Não conta para sua mãe
Na semana passada, escrevi sobre aquela frase que tantas mães sonham ouvir dos filhos: “Mãe, quero te contar uma coisa.” Hoje, quero falar sobre outra frase, uma que nenhuma criança deveria carregar em silêncio escondido dos pais. “Não conta pra sua mãe.”
O caso de uma menina de apenas 5 anos, em Franca, interior de São Paulo, trouxe novamente esse assunto para o centro da discussão. Segundo o relato da mãe, a própria filha contou que teria sido vítima de violência sexual praticada pelo padrinho. A mãe levou a menina para atendimento médico e procurou as autoridades. Dias depois, encontrou o homem e houve uma agressão entre os dois. O caso é investigado separadamente pelas autoridades.
Eu não quero aqui fazer justiça com as próprias mãos. Quero falar de outra coisa. Quero falar da mãe que acreditou na filha. Porque quando uma criança conta, acreditar nela é o primeiro movimento de proteção. Uma criança de 5 anos não deveria precisar reunir provas para ser ouvida pela própria mãe: ela precisa encontrar conforto, precisa saber que pode falar. Precisa saber que, se alguém tocar seu corpo de uma maneira que a deixe constrangida, assustada ou confusa, ela pode contar. E precisa aprender isso dentro de casa, mas também dentro da escola.
A rede de proteção começa muito antes........
