O silêncio também é património
Passei parte das minhas férias no Portugal vazio. Digo vazio, não interior. Não aceito que um país estreito como o nosso, com pouco mais de 200 quilómetros entre o Atlântico e a fronteira, possa, verdadeiramente, ter “interior”. O “interior” é sobretudo cultural. Esse, sim, existe, está bem cavado e consolidado. Fiquei na Serra da Malcata, nesse extraordinário Portugal despovoado e, paradoxalmente, tão rico. Rico em paisagem, água, floresta, silêncio, biodiversidade, património, ar puro e espaço. Recursos cada vez mais escassos e, portanto, cada vez mais valiosos. Num desses dias atravessei a fronteira. De Penamacor até Espanha são apenas cerca de 15 quilómetros. Do lado de cá, a Serra da Malcata; do outro, a Serra de Gata. Estes nomes dizem-nos que aquela linha que desenhámos no mapa, fronteira, é essencialmente administrativa. O território continua. A geologia........
