Banco de jardim: um objecto quase subversivo
Atravessamos as vilas e cidades como quem atravessa um corredor entre compromissos, sem viver. Daqui para ali, muitas vezes a correr. Corremos para o trabalho, para a reunião, para o consumo, para o próximo ecrã. E nesse movimento contínuo, quase industrial, deixamos para trás aquilo que verdadeiramente sustenta a vida: o respirar, o sentir, o reparar.
Perdemos a lenta aprendizagem do tempo. Perdemos a disponibilidade para escutar e viver o lugar. Talvez por isso um banco de jardim seja hoje um objecto quase subversivo.
À primeira vista, parece pouco. Madeira, ferro, parafusos, alguma tinta já gasta pelo sol e pela chuva. Um artefacto banal da paisagem urbana, que nalgumas cidades, como Paris, é retirado intencionalmente para que os pobres não possam permanecer e chocar os turistas. Contudo, como escreveu José Tolentino Mendonça, um banco de jardim ajuda-nos a reorganizar não apenas o........
