A cerejeira da minha infância
Desde que me lembro, sempre esteve lá. Não me recordo se a achava especialmente bonita. Naquele tempo, para mim, era simplesmente enorme. Era a árvore que estava ali, no meio da terra, e que fazia parte daquele mapa secreto da infância onde cada árvore, cada muro e cada caminho tinham um significado especial.
Hoje, quando penso nela, já não sei sequer se ainda existe. Talvez tenha envelhecido, talvez tenha sido cortada, talvez tenha ardido num dos incêndios que entretanto mudaram tantas paisagens. Mas, na minha memória, continua lá, grande, vistosa e com cerejas deliciosas.
Talvez seja assim com muitas das terras que hoje compõem a floresta portuguesa. Há por esse país fora, milhares de portugueses que por certo também têm a sua cerejeira. Pode ter sido uma cerejeira, um sobreiro, um carvalho, uma figueira ou simplesmente uma árvore junto à qual brincaram em criança. Pode ser a casa dos avós, o caminho para o poço, o lugar........
