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Regresso à História - jorge carreira maia

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18.02.2026

O Chanceler Alemão, Friedrich Merz, declarou que “A Europa regressou de umas férias da História”. Sublinhou que a ordem internacional, vinda com o fim da segunda guerra mundial, acabou. Voltar à História é uma péssima notícia. Não se trata, neste regresso, de uma valorização académica dos estudos sobre o passado, mas uma reentrada nos campos de batalha entre potências. Durante algumas décadas, após o último conflito mundial, existiram, e não foram poucos, conflitos armados. Contudo, podiam ser considerados ou como legítimas guerras de libertação nacional ou como guerras espúrias, à margem da lei internacional. Entrar na História significa que a lei internacional deixou de ser relevante. Não passa, na prática, de uma quimera sem qualquer poder efectivo.

O fim da História significa que se assume uma ordem internacional hobbesiana. Volta-se, ao nível internacional, a um estado de natureza, onde não existe qualquer árbitro acima das potências que possa decidir os conflitos. Significa que se está numa guerra contínua – umas vezes, através da política, outras vezes, das armas – de todos contra todos, em conformidade com o poder de cada um. Significa que a ideia, de Thomas Hobbes, de que o homem é o lobo do homem, se torna a regra directora do comportamento das potências, e que pode ser reescrita: os países são os lobos dos países. O caso do conflito entre Rússia e Ucrânia é não apenas um exemplo, mas o início de um recomeço de uma ordem internacional, onde potências maiores tentarão devorar potências menores, agindo em conformidade com os seus interesses. Também esse é o caso da acção dos EUA na Venezuela, transformada em protectorado americano.

O que é a História? Retome-se a interpretação que Walter Benjamin faz do quadro Angelus Novus, de Paul Klee. Do paraíso, sopra um vento tempestuoso em direcção ao futuro. O anjo é arrastado e o olha para o passado. E o que vê? Vê a História, isto é, uma catástrofe contínua que acumula ruína sobre ruína. As férias da História, de que falou Merz, foi o brevíssimo tempo em que se acreditou no avanço civilizacional, no aperfeiçoamento da humanidade, na melhoria contínua. Voltar à História é retornar ao ciclo de violência, destruição, opressão e sofrimento dos homens. A proclamação de Merz não nos trouxe nada de agradável. Lembrou-nos que a paz e o progresso humano são acontecimentos felizes, fruto da fortuna, mas não lei universal. A violência e a dor fazem parte da condição humana na Terra, a qual, em parte pela culpa do próprio homem, não é um paraíso, mas, demasiadas vezes, uma visão do inferno.

O Chanceler Alemão, Friedrich Merz, declarou que “A Europa regressou de umas férias da História”. Sublinhou que a ordem internacional, vinda com o fim da segunda guerra mundial, acabou. Voltar à História é uma péssima notícia. Não se trata, neste regresso, de uma valorização académica dos estudos sobre o passado, mas uma reentrada nos campos de batalha entre potências. Durante algumas décadas, após o último conflito mundial, existiram, e não foram poucos, conflitos armados. Contudo, podiam ser considerados ou como legítimas guerras de libertação nacional ou como guerras espúrias, à margem da lei internacional. Entrar na História significa que a lei internacional deixou de ser relevante. Não passa, na prática, de uma quimera sem qualquer poder efectivo.

O fim da História significa que se assume uma ordem internacional hobbesiana. Volta-se, ao nível internacional, a um estado de natureza, onde não existe qualquer árbitro acima das potências que possa decidir os conflitos. Significa que se está numa guerra contínua – umas vezes, através da política, outras vezes, das armas – de todos contra todos, em conformidade com o poder de cada um. Significa que a ideia, de Thomas Hobbes, de que o homem é o lobo do homem, se torna a regra directora do comportamento das potências, e que pode ser reescrita: os países são os lobos dos países. O caso do conflito entre Rússia e Ucrânia é não apenas um exemplo, mas o início de um recomeço de uma ordem internacional, onde potências maiores tentarão devorar potências menores, agindo em conformidade com os seus interesses. Também esse é o caso da acção dos EUA na Venezuela, transformada em protectorado americano.

O que é a História? Retome-se a interpretação que Walter Benjamin faz do quadro Angelus Novus, de Paul Klee. Do paraíso, sopra um vento tempestuoso em direcção ao futuro. O anjo é arrastado e o olha para o passado. E o que vê? Vê a História, isto é, uma catástrofe contínua que acumula ruína sobre ruína. As férias da História, de que falou Merz, foi o brevíssimo tempo em que se acreditou no avanço civilizacional, no aperfeiçoamento da humanidade, na melhoria contínua. Voltar à História é retornar ao ciclo de violência, destruição, opressão e sofrimento dos homens. A proclamação de Merz não nos trouxe nada de agradável. Lembrou-nos que a paz e o progresso humano são acontecimentos felizes, fruto da fortuna, mas não lei universal. A violência e a dor fazem parte da condição humana na Terra, a qual, em parte pela culpa do próprio homem, não é um paraíso, mas, demasiadas vezes, uma visão do inferno.

O resultado da primeira volta é esclarecedor. A direita neoliberal e social-democrata, dividida por três candidatos, saiu derrotada. A AD e a Iniciativa Liberal, os que mais sofreram: se Luís Marques Mendes soube assumir, com dignidade a derrota, João Cotrim Figueiredo demonstrou, de forma arrogante, a incapacidade duma perda absolutamente esperada, já que o centro-direita que a AD representa, nele, numa primeira volta, não votaria, e parte da sua base de apoio não liberal estava a ser disputada, nas redes sociais, pelo Chega. (ler mais...)

As eleições de domingo, apesar de faltar ainda uma volta, têm vencedores e derrotados claros. Vencedores:

António José Seguro. A sua vitória e votação, bem acima do expectável, tem um único protagonista: ele mesmo. (ler mais...)

Trump aplicou a doutrina Monroe e mais do que ela, segundo afirmou na conferência de imprensa sobre a captura de Maduro e de quem é quem no governo venezuelano. Os Estados Unidos da América irão governar, até haver uma transição, quando a considerarem, a seu interesse, possível. (ler mais...)

Olhemos para as eleições presidenciais. Mais especificamente, para as esquerdas e os seus candidatos, para comentar a estratégia de hara-kiri em que essas esquerdas parecem ser especialistas. Suicidar-se com honra, como velhos samurais caídos em desgraça perante o seu senhor. (ler mais...)

A primeira corrida de S. Silvestre aconteceu no Brasil, em 1925. Assinala a data do falecimento de S. Silvestre, o trigésimo terceiro Papa, em 31 de Dezembro de 335. Foi durante o seu pontificado que terminou a perseguição romana aos cristãos. (ler mais...)


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