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Os nossos sonhos - joão carlos lopes

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25.09.2026

1. Tomar e Santarém vão ver os seus politécnicos passar a escolas politécnicas universitárias. Independentemente da lógica da medida, que já se esperava para atender a interesses corporativos e políticos, esta cosmética vai suscitar naturalmente novas dinâmicas a essa duas cidades. Restritas, mas vai.Não deixa de ser curioso que no início dos anos 70, ainda antes do 25 de Abril, as orientações governamentais para a expansão do ensino no país definiam possíveis escolas politécnicas em Tomar, Abrantes e Torres Novas como forma de enquadrar a ainda fervilhante actividade económico do célebre triângulo industrial.A história já é conhecida. Quando Santarém teve o seu Instituto Politécnico (a rede era de um em cada distrito, e continua a ser, à excepção do distrito de Santarém), Tomar, que nunca suportou ficar em nada atrás de Santarém, questão histórica, logo reivindicou um polo do IPS, na certeza de que essa estratégia era uma forma de iniciar um caminho incontornável, como o foi: a autonomia para Tomar, que passou a ter o seu politécnico autónomo, passado pouco tempo.Enquanto em Torres Novas se discutia o figo, que já tinha acabado, e outras bizarrias, Abrantes avançou para um polo de Tomar. Hoje, a Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, como se conta nesta edição, cresce e dá massa crítica à cidade.Santarém, já sem Tomar, também concedeu a existência de um polo para o seu politécnico. O alheamento de Torres Novas, mais uma vez, e as favoráveis conjugações políticas autárquicas da altura, levaram para Rio Maior uma Escola Superior de Desporto que, passados muitos anos, alguém disse que teria sido natural em Torres Novas, que já tinha um estádio, umas piscinas e outras estruturas que podiam ser o embrião de um polo de Santarém. Nessa altura discutia-se os frutos secos, ou outra ficção qualquer.Não pode haver ensino superior em todo o lado, Torres Novas está fora dessa batalha há muito, se é que alguma nela esteve, não vale a pena chorar sobre o leite derramado. Aliás, se a “vila” não tem aqui um polo de Tomar ou de Santarém, como Peniche, Marinha e Caldas têm de Leiria, é porque não o mereceu e não o merece.

2. Tomar é uma grande cidade sem ser grande em dimensão, uma verdadeira cidade europeia, vibrante e dinâmica passados que foram os sombrios anos 80 e 90. Abrantes aposta nas indústrias de inovação e conhecimento, e também em projectos sólidos e sérios, embora discutíveis, na área da cultura. É certo que são cidades com outros pergaminhos históricos que Torres Novas não tem, para não falar da visão dos actores políticos, e com um passado que se transforma em potencial no presente, e isso conta muito, sempre contou. Em tudo: a própria segunda industrialização de Torres Novas, na passagem dos séculos XIX e XX, é bastante credora, por exemplo, de capitais e capitalistas da zona de Abrantes (Renova, EIAL, etc), já que a terra se revelava sem energias para enfrentar esse período de incremento industrial.Torres Novas tem de olhar para si própria com humildade, perceber que nunca será uma cidade como Tomar (nunca poderia sê-lo), nem como Abrantes. Isso não é um drama. A cidade do Almonda já teve outra importância, é certo. No início do século XX, antes da desanexação de Alcanena, Bugalhos, Monsanto e Minde e, uns anos a seguir, do Entroncamento, Torres Novas era o segundo concelho do distrito em população e em indicadores económicos. Era um vila de média dimensão, mas um concelho com escala,........

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