Liderança Estratégica: o problema que a Europa acha que não tem
Enquanto a Europa se destaca na produção regulatória, outras geografias, como os Estados Unidos e a China, revelam maior velocidade na criação de empresas tecnológicas de escala global. Nós criámos o RGPD; nos Estados Unidos surgiram organizações como a OpenAI, e na China iniciativas como a DeepSeek. Nós desenhámos o AI Act; noutros contextos treinam-se modelos com milhares de milhões de parâmetros. Não se trata de superioridade intelectual nem de modelos a replicar, mas de diferenças na forma como as lideranças enquadram o risco, o investimento e a ambição tecnológica.
A diferença entre gerir e liderar
A maioria das organizações europeias, públicas e privadas, gere tecnologia: compra, implementa, opera, mantém. Muito poucas lideram através da tecnologia, usando-a como vantagem competitiva e motor de transformação do negócio.
Este padrão é recorrente: tendem a tratar a tecnologia como centro de custo. Medem o sucesso do IT pelo uptime e pelo cumprimento do orçamento, raramente pela capacidade de criar valor ou de abrir novos mercados. Muitos conselhos de administração não compreendem o impacto da tecnologia no negócio, e delegam as decisões tecnológicas dois ou três níveis abaixo, sem supervisão estratégica real.
Quantos conselhos de administração em Portugal integram um membro com literacia tecnológica? Não falamos de alguém que sabe utilizar o email e........
