Manter pode ser mais sustentável do que substituir
Num momento em que a transição energética domina o debate público, o automóvel tornou-se, talvez mais do que nunca, um símbolo — e simultaneamente um alvo. A narrativa dominante é simples: substituir veículos a combustão por veículos elétricos é sempre a opção mais sustentável. Mas será mesmo assim?
A resposta, como quase sempre em temas complexos, é: depende.
A sustentabilidade não pode ser analisada de forma fragmentada nem reduzida a um único momento da vida de um produto. Um automóvel não começa a “existir” do ponto de vista ambiental quando entra em circulação. Começa muito antes — na extração de matérias-primas, no fabrico, na logística global que o coloca no mercado. É aqui que o conceito de análise de ciclo de vida assume particular relevância.
Segundo a Agência Europeia do Ambiente, uma parte significativa da pegada carbónica de um veículo elétrico ocorre precisamente na fase de........
