A beleza das pequenas coisas
“É o que é”. A frase anda na boca de toda a gente em Portugal, como a famosa pasta dentífrica. O aportuguesamento da expressão idiomática “it is what it is” é usada para manifestar aceitação perante uma evidência e a sua imutabilidade. Ora, podemos aplicar este estribilho da moda à realidade empresarial portuguesa e europeia: as micro, pequenas e médias empresas dominam a estrutura económica da Europa, mas é o que é e nós temos de saber lidar com isso. Mais do que lamentar a falta de grandes empresas, importa trabalhar para tornar as PME mais competitivas, inovadoras e resilientes e desta forma dar-lhes escala ou suprir a falta dela.
A explicação para a hegemonia das PME na Europa está na História. Durante a Idade Média, a economia europeia organizava-se sobretudo em torno de oficinas artesanais, pequenos comerciantes e corporações de ofício. Estas estruturas económicas eram responsáveis pela produção de bens essenciais e pela dinamização das cidades. Com a Revolução Industrial, surgiram grandes fábricas e empresas industriais de maior dimensão. No entanto, as pequenas empresas continuaram a desempenhar um papel relevante, sobretudo em setores tradicionais e em regiões menos industrializadas.
Em Portugal, as PME assumem uma importância ainda mais significativa devido à peculiar estrutura económica do país. Historicamente, o nosso país desenvolveu-se com base em pequenas explorações agrícolas, comércio local e empresas familiares. Mesmo durante a lenta industrialização do século XX, o país nunca atingiu o nível de concentração industrial observado em economias como a alemã ou a britânica. E, na passagem do século, veio a terciarização da economia e a consequente desindustrialização.
Depois da transição democrática, em 1974, e sobretudo após a entrada de Portugal na então Comunidade Económica Europeia, em 1986, as PME ganharam novo impulso e tornaram-se a espinha dorsal da nossa economia. Os fundos europeus permitiram modernizar empresas, diversificar bens e........
