Portugal não pode perder o comboio da Inteligência Artificial
Há um risco real de Portugal ficar para trás na corrida à Inteligência Artificial? A resposta curta é sim — e o risco é imediato. Mas não por um problema de talento. Os nossos engenheiros e cientistas de dados estão entre os melhores do mundo. O risco real chama-se escala, velocidade e subinvestimento crónico, quando comparados com ecossistemas como o norte-americano, o britânico ou o do norte da Europa.
Se a Inteligência Artificial (IA) é a eletricidade do século XXI, a janela de oportunidade para não sermos meros importadores e consumidores dependentes desta tecnologia está a fechar-se. E, para não a perdermos, precisamos agir em três frentes ao mesmo tempo: empresas, governo e universidades.
O maior obstáculo não é a tecnologia. É a cultura.
Ficarmos para trás não tem origem na falta de computadores ou de algoritmos. Tem origem na falta de ambição e de velocidade cultural. A maioria das empresas portuguesas ainda olha para a Inteligência Artificial como uma ferramenta de poupança de custos ou de produtividade individual — o equivalente a dar um super-assistente a cada colaborador para escrever e-mails ou resumir relatórios mais depressa. Mas, isso é apenas a ponta do icebergue.
A IA não veio para automatizar tarefas do passado, veio sim para reconfigurar o valor e os modelos de negócio do futuro. A hiperpersonalização de campanhas, produtos e experiências, que há poucos anos era economicamente inviável, torna-se hoje possível........
