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A fatura do Médio Oriente

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03.03.2026

O Irão percebeu rapidamente que este conflito não pode ser lido apenas como uma guerra entre si e Israel. A equação envolve Estados Unidos, Israel e Irão, com Washington já diretamente comprometido no teatro operacional. A estratégia de Teerão não é apenas resistir. É alargar.

Transformar um confronto militar concreto numa crise regional com implicações globais. E, sobretudo, redistribuir o custo da guerra.

A lógica é fria e calculada. Se o impacto do conflito sair do campo de batalha e entrar nos mercados energéticos, nas rotas marítimas e nas economias europeias, então a pressão política desloca-se. O objetivo deixa de ser apenas militar. Passa a ser económico e psicológico.

O Estreito de Ormuz é o ponto crítico. Por ali transita uma parte significativa do petróleo mundial. Com um bloqueio formal, a ameaça para que os prémios de risco subam, os seguros marítimos encareçam e os mercados reajam. A guerra não precisa de fechar o estreito. Precisa apenas de o tornar instável. Informações sobre ataques às bases áreas britânicas no Chipre reforçam essa lógica de alargamento. França, Alemanha e Reino Unido já sinalizaram disponibilidade para participar militarmente de forma defensiva, seja na proteção de bases, seja na defesa de infraestruturas estratégicas ou aliados regionais. Não falam em ofensivas. Falam em dissuasão e defesa. Mas para Teerão essa distinção pode ser meramente semântica.

O problema estrutural é que a Europa entra neste cenário fragilizada. A rutura energética com a Rússia foi politicamente necessária, mas........

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