Quando a complexidade é um modelo de negócio
Nos debates sobre habitação e urbanismo em Portugal, tendemos a falar de “o mercado” como se fosse um bloco único. Um conjunto de agentes que reage às mesmas regras, com os mesmos incentivos e objetivos. Mas, se olharmos com atenção, percebemos que esse “mercado” está, na verdade, dividido em duas grandes partes com interesses quase opostos: de um lado, uma esfera institucional que beneficia da complexidade e da opacidade. Do outro, um âmbito operacional que necessita de clareza e celeridade para trabalhar.
O primeiro caso é formado por quem vive profissionalmente da gestão da complexidade: estruturas administrativas, entidades consultoras, operadores que intermediam processos, organizações para quem a acumulação de regras, pareceres e procedimentos é, direta ou indiretamente, fonte de poder, legitimidade ou negócio. Quanto mais difícil for compreender o sistema, maior é a necessidade de recorrer a intérpretes especializados.
A segunda esfera é composta por quem tem de........
