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A doca que ainda é nossa

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23.10.2026

Há diferença entre vender uma empresa e abdicar de uma capacidade. A segunda vem disfarçada de concurso público e de linguagem administrativa que adormece o essencial. É o risco que corre a Mitrena. A concessão termina em 2027, e o concurso só deve arrancar perto do fim. Não há caderno de encargos, há estudos. Tudo se decide agora, sem que nada pareça estar a ser decidido.

E quem decide passou a ser a administração portuária, cuja lógica é a do tráfego e da receita, não a de um activo de soberania. Não é má-fé, é a calculadora a trabalhar no lugar errado. Já vimos, com a refinaria de Matosinhos, o que isso custa, e ali decidiu um privado; aqui o dono é o Estado, e a responsabilidade também.

Convém separar duas coisas. Uma é o estaleiro como negócio, com 76 navios reparados em 2024, só dois portugueses. Outra é a natureza do activo, que pede duas qualificações antes de se assinar seja o que for. É infra-estrutura crítica, em normalidade vantagem económica e em tensão função de soberania. E é activo estratégico, qualificação que não olha ao que ele faz, mas a quem fica com ele.

A segunda responde a outra........

© Jornal Económico