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Algumas consequências geoestratégicas do ataque norte-americano ao Irão

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13.05.2026

A incapacidade de os EUA concretizarem os objetivos políticos a que alegadamente se propuseram, isto é, a mudança de regime no Irão, com o recurso à força militar, evidenciou as limitações do seu poderio bélico: as suas bases militares no Golfo Pérsico foram atacadas e destruídas pelos mísseis e drones iranianos, foram incapazes de honrar os compromissos securitários com os seus aliados da região, e os navios da quinta esquadra debandaram do Golfo para não serem afundados.

Entretanto, o estreito de Ormuz encontra-se sob o controlo de Teerão que determina quem o cruza. Os EUA não conseguiram restabelecer a liberdade de navegação na região. A marinha norte-americana não foi sequer capaz de colocar na região três grupos de porta-aviões, uma capacidade militar muito distante daquela empregue nas guerras em que se envolveu nessa parte do mundo (seis grupos em 1991 e oito em 2003, nas guerras contra o Iraque). Todos estes desenvolvimentos estão a ser seguidos por todo o mundo com muita atenção, em particular pela China.

A antes ‘senhora dos mares’, vê-se agora em dificuldades. Para além do estreito de Bab-el Mandeb e do mar do Sul da China, enfrenta também sérias dificuldades no controlo do estreito de Ormuz. O resultado pífio do embate nestas duas frentes poderá ser determinante nas ambições hegemónicas norte-americanas. Ao que se junta o facto de a indústria naval dos EUA enfrentar uma crise sistémica, a qual faz perigar as pretensões dos EUA de domínio incondicional dos oceanos.

A confrontação militar com Pequim

Os acontecimentos recentes no Irão permitem-nos antever o resultado desse possível confronto. O tema tem sido recorrentemente abordado nos círculos militares norte-americanos. Os argumentos em abono de uma confrontação militar com a China são mais do foro comunicacional do que do técnico, podendo isso levar os decisores a confundir narrativas com factos e, consequentemente, a tomarem decisões erradas.

A ocorrer, esse embate teria lugar na Ásia Oriental/Pacífico ocidental, onde se situam os potenciais focos de um conflito sino-americano, e seria provocado pelas restrições à liberdade de navegação no Mar do Sul da China ou por uma ação militar chinesa em Taiwan. Em qualquer dos casos, os EUA encontrar-se-iam sempre numa situação difícil e desvantajosa. A China combaterá na sua área geográfica e começa a dispor de vantagem tecnológica.

A China tem vindo ao longo das........

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