Começar por dizer que…
O … o Presidente teve coragem e visão. Dizer que... Sempre dizer que… Portanto, começar por agradecer… e dizer que… irrita e não funciona. Porque dizer algo exige sujeito. E o sujeito pesa. O sujeito compromete. Portanto, dizer que… faz com que o verbo fique ali. Suspenso. Pendurado numa gramática estranha. Dizer que. Referir que. Depois logo se vê o que se acrescenta. Há cada vez mais discursos a começar no infinitivo. Uma moda e uma bengala. Um ar de solenidade para esconder o vazio do discurso. O infinitivo. Neutro. Dizer que é um prazer. Ou um gosto. Mas ninguém diz: — eu digo. Ou nós dizemos. Uma liturgia do vazio. Mas sem dúvidas. Categórica. Prenhe de resiliência, essa supercola semântica. Falta dinheiro? Resiliência. Choveu? Resiliência. O governo caiu? Resiliência. E eu cada vez tenho mais dúvidas sobre isto de escrever. O que, convenhamos, já é bastante pretensioso. Porque dizer que se escreve parece sempre insinuar que se é escritor. E não. Não sou escritor. Sou apenas um tipo que escreve. Tipo. Mesmo tipo. Porque hoje tudo é tipo. Estava tipo a pensar… Foi tipo incrível… tipo, percebes? Tipo uma muleta verbal. Tipo uma vírgula oral. Tipo nada. Como há........
