O pintor e os destroços dos incêndios florestais
Jean Dubuffet, o pintor e o teórico da Arte Bruta, dizia que «a verdadeira arte está sempre onde não a esperam» e também que «uma obra de arte deve ter uma significação tão profunda, tão universal e diversa, que cada um pode beber nela o licor de que gosta». Vem isto a propósito da exposição de pintura de Alex. R. Pereira que actualmente está patente na Coolabora, na Covilhã. Pois não é todos os dias que um pintor nos propõe um trabalho feito singularmente a partir da cinza e dos carvões resgatados das serras destroçadas pelos grandes incêndios de 2025.O artista já nos tinha habituado a condimentos originais como a utilização do vinho em pintura e que ele mostrou ao mundo no café Saveur do Fundão. Agora aqui não só utiliza o carvão como prato forte como nalgumas execuções o mistura com a beterraba, o açafrão, a flor do hibisco, a salmoura das azeitonas, e claro, a tinta-da-china. Mas o carvão encontrado nos destroços dos fogos do ano passado é o material predominante e epifânico. Isto é uma autêntica novidade como foi uma novidade certos criadores terem........
