Saúde mental: sim, mas só quando dá jeito
As hortas comunitárias do Parque José Avides Moreira, integradas no Centro Hospitalar Conde de Ferreira (CHCF), no Porto, vão fechar após uma década de existência. No total, são cerca de 200 talhões, distribuídos por igual número de agregados familiares. As hortas resultaram de um projeto da Lipor em parceria com a Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP). No documento normativo do projeto, indicam-se quatro eixos principais: ambiental, social, económico e saúde.
Há quatro anos que nele participo e cultivo uma horta com o meu pai. Noto que não existem duas hortas iguais: a terra e o trabalho nela realizado refletem cada cuidador, cada agregado familiar. As hortas contribuem para a autossubsistência, ajudando de forma importante e direta o orçamento familiar e são usadas por famílias com diversos rendimentos, e por jovens, reformados e idosos. Por isso, o projeto da Lipor é um projeto com importantes consequências para a saúde mental: conhecem-se os vizinhos, cria-se um vínculo afetivo com a terra, come-se o que se planta, sai-se de casa, conversa-se, partilham-se a mangueira ou as ferramentas, come-se mais saudavelmente, move-se o corpo, ocupa-se o tempo, e como se costuma dizer, "desanuvia-se". Desanuviar é importante, sobretudo numa cidade como o Porto, que atualmente tem cada vez menos espaços sociais, menos áreas verdes e jardins de proximidade, bem como menos habitações e espaços para a vida, seja para crianças, adultos ou idosos. Recordemos que, ainda recentemente, nesta zona da cidade, o jardim do Nó das Antas, igualmente propriedade da SCMP, foi sacrificado para dar lugar a um novo empreendimento imobiliário, após alterações ao PDM.
Neste contexto, a presente decisão, se for levada avante, terá um impacto dramático. Com mais de 30 hectares de zona verde e mais de 200 talhões atribuídos a hortelãos, esta horta tem a particularidade de estar situada num hospital dedicado à psiquiatria e à saúde mental. É, portanto,........
