Um doce de homem injustiçado
No início desta canícula que nos queima ossos, miolos e florestas, ainda ensonado do Portugal-Croácia, lembrei-me há dias dos comentadores na TV a concordarem que a FIFA só escolheu Cristiano Ronaldo como "homem do jogo" porque no estádio não estava Donald Trump, pelos vistos o critério é a celebridade, depois das defesas miraculosas de Diogo Costa e do golo genial de Gonçalo Ramos, a cabeça entre dois gigantes, quando finalmente o deixaram jogar, e lembrei-me da careta trumpiana de Cristiano, no rame-rame de injustiçado que não quer sair do jogo, não quer sair, e minutos depois, quando a chapa do sol já batia na varanda, lembrei-me de outro homem, no tribunal, que se considerava injustiçado. Ouvi-o já depois das alegações, acusado de violência doméstica, mas o homem quis dar uma última palavra nos descontos do prolongamento, por assim dizer, e isto foi o que disse a chorar:
"Sotôra, eu não sou isso! Nada aconteceu disso! A vassoura?! As pessoas são muito........
