Aposta no feminino
Há semanas que dizem muito sobre o momento de uma modalidade e, ao mesmo tempo, deixam pistas claras sobre o caminho que se quer trilhar. Esta foi uma delas para o futebol feminino português. Depois da vitória na Letónia, a Seleção Nacional A prepara-se para novo desafio frente à Eslováquia, na corrida ao Mundial de 2027, ocupando, por agora, a liderança isolada do grupo. No mesmo dia, a seleção de sub-19 discute o acesso ao Europeu, num ano que já garantiu um marco histórico com a primeira presença de Portugal num Mundial de sub-20.
As grandes competições internacionais continuam a ser o espelho mais fiel do ponto em que nos encontramos e das ambições que alimentamos. Ainda assim, o verdadeiro sucesso não se esgota na soma de qualificações. Cada apuramento conta, naturalmente, mas o desígnio maior permanece na formação contínua de novas gerações de jogadoras, de novas gerações de Navegadoras. Esse é o topo de uma pirâmide que exige base sólida, construída com tempo, condições adequadas e uma visão sustentada de crescimento.
É precisamente essa visão que sustenta a aposta no feminino inscrita no Plano Estratégico da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para a próxima década. Mais do que aumentar o número de praticantes, trata-se de promover uma transformação estrutural. Alargar a base de recrutamento, reforçar o número de clubes e consolidar equipas profissionais são passos essenciais para seleções mais competitivas. A par disso, impõe-se investir na qualificação, com mais treinadoras detentoras do nível UEFA Pro, num esforço conjunto da FPF e da UEFA, e garantir uma presença feminina mais ampla em todas as áreas do futebol.
A criação de um departamento dedicado ao desenvolvimento do futebol feminino, já anunciada pela Direção da FPF, deverá funcionar como peça central desta estratégia. Investir com determinação tornou-se incontornável, mas é no acompanhamento próximo e na responsabilização que se faz a diferença. Também aí se mede o compromisso. Nesta semana, a presença constante do presidente Pedro Proença e da Direção Executiva da FPF junto da Seleção A feminina não foi exceção, mas sinal de uma prática que se quer consistente e duradoura.
