Não é crime de guerra matar 165 meninas?
Foi há uma semana que Netanyahu forçou a mão de Trump e se iniciou uma guerra para a qual não existe justificação, nem boa, nem má. Primeiro, era a de eliminar a ameaça nuclear iraniana, depois promover uma mudança de regime, mais uns dias e já era a de eliminar mísseis balísticos, e, a mais recente, evitar um ataque iminente aos EUA. Tudo absurdo.
Logo nas primeiras horas, a prioridade foi a execução dos líderes políticos do Irão. Gente abominável, não há dúvida. Mas isso não invalida a pergunta: a regra passou a ser a de executar líderes políticos e, com eles, as suas mulheres, filhos e netos? A ninguém incomoda estas violações grosseiras das leis internacionais?
Ninguém verterá uma lágrima pelo aiatola Ali Khamenei e seus sequazes. Mas, e pelas 165 meninas que estavam na escola, em Minab? Tinham entre sete e 12 anos, iniciavam o dia escolar e foram vítimas de um ataque americano, só porque do outro lado da rua havia uma instalação da Guarda Revolucionária. Terão sido vítimas da nova inteligência artificial que guia os mísseis, ou da simples e velha monstruosidade humana?
Quem condena este crime inaceitável? O francês Macron não perdeu o sono e anunciou uma nova corrida às armas nucleares. O alemão Merz não se embaraçou e reuniu-se com o carrasco na Casa Branca. O português Montenegro está entretido com o facto de os americanos fazerem de Portugal gato-sapato na Base das Lajes.
Talvez alguém lhes possa mostrar os vídeos das dezenas de corpos de meninas numa morgue improvisada. Tinham nome. Como Mohanna Zari, deitada dentro de um saco de plástico negro, ainda de mochila às costas, com os livros escolares e o caderno de trabalhos de casa. Ou as imagens das retroescavadoras abrindo dezenas de covas, seguindo o desenho retangular previamente marcado a cal. Macron, Merz, Montenegro e todos os outros líderes europeus estarão disponíveis para pedir uma investigação ao que parece ter sido um abominável crime de guerra? Ou têm medo de incomodar Trump? Ficar em silêncio é ser cúmplice
