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Afinal, vivemos em Portugal ou na Lisboalândia?

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07.09.2026

Há em Portugal uma tradição política verdadeiramente admirável. Sobrevive a governos, maiorias, crises, reformas administrativas e até à inteligência artificial: Lisboa continua a decidir demasiado pelo resto do país.

Não é necessariamente por maldade. É pior: é por hábito.

Portugal descobriu há alguns anos a descentralização. Descobriu-a, pelo menos, em discursos, cerimónias e documentos oficiais.

Mas, na prática, fizemos uma coisa curiosa: transferimos competências para os municípios, mas mantivemos em Lisboa a autorização, o parecer, a validação, a supervisão, o procedimento e, quando possível, o dinheiro.

É uma espécie de descentralização à portuguesa: "É vosso para fazer, mas primeiro perguntem-nos se podem."

E, se possível, preencham o formulário certo.

O problema é que esta cultura administrativa tem consequências muito concretas.

Um Estado lento prejudica sobretudo quem tem menos capacidade para esperar. Uma grande empresa consegue contratar consultores, advogados e especialistas para acompanhar um processo........

© Jornal de Notícias