O medo sob forma de lei
Há dias em que a democracia se faz de avanços discretos, quase invisíveis, e outros em que se mede pelo risco de perder o que julgávamos adquirido. O debate que ocupa o Parlamento português sobre identidade de género pertence, inequivocamente, à segunda categoria. Não é apenas uma discussão legislativa: é um teste à memória colectiva e à capacidade de distinguir prudência de recuo. Há momentos na vida democrática em que um país se olha ao espelho e decide, com serenidade ou com medo, o que quer ser. O debate sobre a identidade de género não é apenas técnico, nem sequer apenas ideológico: é civilizacional. E o risco, desta vez, é claro - o de, inapelavelmente, recuar.
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