Festejar e defender a liberdade
O 25 de Abril é hoje, talvez mais do que nunca, uma ideia mobilizadora celebrada de forma alargada. Não é apenas uma festa. É também uma manifestação da vontade coletiva de resistir a ameaças e riscos que põem em causa os valores da liberdade e o regime democrático. É uma festa que concilia a alegria com a vontade de resistir. Hoje, mais do que nunca, como é demonstrado pelo número surpreendente de pessoas que se juntam à festa, na Avenida de Liberdade, em Lisboa, e em muitas outras avenidas das nossas cidades.
Desde a troika, cresce também a diversidade dos celebrantes. Jovens e crianças, adultos e velhos, famílias e grupos de amigos, imigrantes de todas as origens, militantes de diferentes causas participam na marcha com o mesmo espírito: festejar e defender a liberdade. Ilustram bem esse espírito as canções, as palavras gritadas ou os cartazes, como o que dizia "regamos hoje os cravos que os nossos avós plantaram". Para os que se queixam dos jovens, fazendo eco e repetindo a (velha) ideia de que as novas gerações são sempre piores do que as anteriores, que não se interessam por nada, a marcha do 25 de Abril prova que, em todas as gerações, há jovens e adultos empenhados na participação cívica.
Para aqueles que pensam que os valores da democracia e da liberdade estão perdidos devido ao ataque da extrema-direita radical, populista e autoritária, a marcha do 25 de Abril é uma demonstração de que os democratas e defensores da liberdade são a maioria. A ideia de que os venturas desta vida representam o país e os jovens não faz sentido.
Há tendência para tratar os jovens como categoria homogénea: a geração Z ou centennials, a geração Y ou millenials, a geração A ou alfa. Atribui-se, a todos os jovens nascidos numa determinada década, características comuns de pensamento e comportamento, de trabalho e consumo, de gosto e estilo de vida. Porém, em todas as gerações de jovens há diversidade de níveis de qualificação, de condições económicas e sociais, herdadas ou adquiridas, de ambições e expectativas, de visões do Mundo e do outro que condicionam as suas atitudes e comportamentos. Os jovens são uma categoria sociodemográfica que interceta a diversidade social e económica. Olhar para os jovens aplicando, a todos, os traços que caracterizam apenas alguns, ou apenas uma parte da sua existência, impede o conhecimento da realidade e alimenta mitos errados sobre as gerações. Abril é também a revelação de uma realidade mais plural do que o habitualmente reconhecido.
