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O fim do Mundo

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14.06.2026

Nenhuma realidade muda de um dia para o outro, exceto terramotos, tsunamis, incêndios, bombardeamentos e bombas atómicas. As transformações sociais são como um cancro, vão-se espalhando de forma paulatina, porém inexorável. Às vezes, o combate à doença é eficaz, outras vezes não produz o resultado desejado. O tempo acaba por dar razão à força mais poderosa, e tantas vezes, àquela que é maligna.

Quando os talibãs tomaram o poder no Afeganistão em agosto de 2021, o tempo parou para metade da população, as mulheres. Em setembro, o Ministério dos Assuntos Femininos foi extinto e substituído pelo Ministério da Propagação da Virtude e Prevenção do Vício. Em dezembro desse ano, as mulheres são proibidas de viajar mais de 72 quilómetros sem um mahram, que quer dizer tutor masculino. Imagine o que é ter 30 anos e precisar que o seu irmão de 16 anos a acompanhe para ir visitar uma amiga que mora noutra cidade. Em março de 2022, a promessa de reabrir as escolas secundárias dura seis horas. De manhã, as portas abrem-se, à tarde, o Ministério da Educação ordena o seu encerramento. Não é o momento, argumenta. O momento nunca chegou. Em novembro, as mulheres são proibidas de entrar em parques e ginásios. Inicia-se o confinamento doméstico. Um........

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