O derradeiro amor da Humanidade
Na última mudança de casa não consegui deitar fora as minhas coleções de CD e de DVD. Sabia que o mais certo era nunca mais as usar, mas ainda assim era-me doloroso vender ou simplesmente deitar fora caixas de plástico cujo conteúdo representava grande parte do património cultural e pessoal que construí ao longo da vida. Além disso, muitos tinham sido oferecidos por pessoas importantes e tinham dedicatórias escritas. A carga afetiva dos objetos faz com que deixem de ter preço porque o seu valor é incalculável.
Quando comecei a ouvir notícias da destruição de livros após a sua digitalização por parte das grandes companhias de IA, fiquei sem saber o que pensar. A realidade precipita-se para a desmaterialização massiva e agora chegámos aos livros. Os livros? Não serão os livros o último reduto da civilização? A capa que acariciamos, as frases que sublinhamos, o prazer que sentimos em emprestar ou oferecer um título que mudou a nossa vida, o conforto de olhar para a pilha que repousa na mesa de cabeceira e nos faz companhia, as lágrimas marcadas no papel, será que tudo isto vai desaparecer?
Nos últimos anos as empresas de inteligência........
