À espera de ideias novas
Esta semana, a Academia do Porto assinalou o Dia Nacional do Estudante e os 115 anos da Universidade do Porto. Estas datas obrigam a uma leitura honesta sobre o que mudou e o que permanece por resolver. É inegável que o Ensino Superior se expandiu, mas a qualidade de vida dos estudantes não acompanhou essa progressão. Estamos presos num círculo vicioso, mas Portugal não é um país velho: é um país que precisa de ideias novas. Foi perante este contexto de imobilismo que a Federação Académica do Porto anunciou a criação de grupos de trabalho multidisciplinares, para intervir no debate público e apresentar reformas estruturais para o crescimento económico e social do país, nas áreas da Saúde, Educação, Economia e do Estado. Portugal precisa de respostas, e os mais de 80 mil estudantes da Academia do Porto podem, e devem, contribuir para essa modernização do país. Nestes 115 anos da Universidade do Porto, importa também questionar o papel que a instituição quer assumir. É necessário antecipar o que aí vem: um Mundo menos livre, com democracias sob pressão, factos relativizados e até retrocessos nos direitos humanos. As barreiras económicas que condicionam percursos e limitam o talento persistem, mas esta realidade não pode ser normalizada. A educação é a ferramenta de emancipação mais poderosa de que dispomos, e a Universidade tem a responsabilidade de garantir que esse princípio não é comprometido. Tem de ser menos espectadora e mais protagonista no desenvolvimento do país.
