menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A nova assistente e (cada vez mais) companheira

9 0
yesterday

O termo inteligência artificial (IA) surgiu em 1956, na Conferência de Dartmouth, com os primeiros algoritmos cognitivos exploratórios desenvolvidos a partir do pensamento computacional, lançado nos anos 40 por Alan Turing. Nas décadas seguintes, destacam-se a linguagem Prolog, nos anos 70 - uma das primeiras orientadas à lógica - e a difusão dos sistemas periciais aplicados à indústria. Nos anos 80, renascem as redes neurais artificiais, impulsionado pelo algoritmo de retropropagação. Seguiu-se o "inverno da IA", que começou a dissipar-se no final dos 90 com o avanço do machine learning - simbolizado pela vitória do Deep Blue sobre Kasparov - e, já no século XXI, com a supercomputação e a explosão dos dados digitais.

Hoje, o aumento exponencial da capacidade computacional de chips especializados (como as GPU da NVIDIA), suporta o treino e a execução de diversas abordagens de IA. Pontificam técnicas de aprendizagem supervisionada, não supervisionada e por reforço, bem como diversas famílias de algoritmos: redes neurais e deep learning; métodos probabilísticos e bayesianos; sistemas generativos multimodais; heurísticas inspiradas na natureza; e arquiteturas híbridas que articulam várias destas estratégias. Paralelamente, a IA ganhou dimensão multimodal, interpretando texto, imagem, som e vídeo de forma integrada, ampliando a sua presença em muitos contextos profissionais e quotidianos. Assim, assiste-se a uma evolução da IA funcional, centrada em tarefas específicas, para a IA generativa, capaz de criar alternativas e soluções, e mais recentemente, para uma IA agenciadora, apta a gerir sistemas complexos com crescente autonomia - uma IA com comportamentos de planeamento e coordenação.

Nos próximos anos, a hiperautomação - combinação de IA, machine learning e plataformas low-code - substituirá fluxos manuais por cadeias completas de decisão e execução. Sistemas multiagentes cooperativos a operar em tempo real tornarão setores, como os da energia, finanças, saúde ou logística, quase autónomos. A IA assumirá funções na descoberta científica, acelerando a inovação e encurtando ciclos de desenvolvimento. Interfaces naturais, que interagirão com sistemas inteligentes por voz, gesto ou imagem, reforçarão a omnipresença da IA como assistente e companheira de decisão - desde a monitorização biométrica contínua a plataformas dinâmicas e adaptativas para transportes ou segurança.

Esta evolução trará novos conceitos de trabalho e de organização institucional, nos setores público e privado, incluindo novos modelos de responsabilidade individual. A IA estará no centro da atividade política, quer por apoiar processos de decisão, quer por ser objeto de deliberação quanto aos limites da sua aplicação. E num contexto de crescente desinformação, esta assistente terá de aprender a selecionar corretamente as fontes, sob pena de comprometer a confiança que nela é depositada.


© Jornal de Notícias