Tudo, em todo o lado, ao mesmo tempo (II)
Neste segundo texto, as minhas reflexões incidem sobre as debilidades da democracia e da sua governação política para lidar com o futuro da soberania nacional, das suas fronteiras convencionais, imersas neste universo de tudo, em todo o lado, ao mesmo tempo. Se quisermos, trata-se de refletir sobre uma nova cultura e arquitetura de segurança e o seu impacto sobre a governação política democrática. Uma cultura e arquitetura de segurança que se estende desde a estabilidade das relações internacionais (as sanções de uma guerra) até à coesão territorial de uma pequena comunidade (os efeitos destrutivos de um desastre climático), ambos os eventos com consequências devastadoras sobre a liberdade de circulação e mobilidade que estão muito para lá da estrita e convencional segurança económica e comercial.
Neste contexto de risco sistémico bastante atribulado, a democracia política acrescenta instabilidade à governação, não apenas porque é baseada na liberdade e diversidade político-partidária, mas, também, porque é o único sistema que protege e promove os seus próprios adversários e inimigos. Acresce que, estamos a assistir, em direto, ao declínio das instituições internacionais da ordem liberal e multilateral do pós-guerra que protegia o velho Estado-nação e, por outro lado, à ascensão e hegemonia dos Grandes Conglomerados Tecnológicos e dos Grandes Fundos Financeiros, uma aliança que promove a extraterritorialidade das relações internacionais e de que Sillicon Valley é o exemplo mais eloquente. A hegemonia deste complexo tecno-financeiro, como podemos facilmente observar na atualidade, tem repercussões muito sérias sobre a estabilidade e segurança das instituições da democracia liberal e sua governação política. Este é o tempo das grandes transições, um tempo de policrise, risco........
