O futuro não cabe no aterro
Assinalar o Dia Internacional do Resíduo Zero é, antes de mais, um exercício de realismo. Não porque a ambição seja exagerada, mas porque os números que temos hoje em Portugal mostram que ainda estamos longe de um modelo onde os resíduos deixam de ser um problema para passarem a ser vistos como um recurso.
O país enfrenta uma pressão crescente sobre as suas infraestruturas de gestão de resíduos. Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o Ministério do Ambiente e da Energia, 13 dos 35 aterros existentes têm menos de 20% de capacidade disponível e nove poderão esgotar-se nos próximos dois anos. Ao mesmo tempo, mais de metade de todos os resíduos urbanos produzidos em Portugal, cerca de 54%, continua a ter como destino o aterro.
Estes números não são apenas estatísticas do setor. São, sim, um sinal claro de que o modelo atual está a chegar ao limite.
E, nas últimas semanas, chegaram-nos vários exemplos que tornaram este cenário ainda mais visível.
O aterro sanitário do Sotavento Algarvio aproxima-se do colapso, numa situação que ilustra bem a pressão que se sente........
