Perder os pardais
Em criança, conhecia-os de ginjeira, de voo e de trinado, e tanto me eram familiares - o bibe do macho, o pardacento da fêmea, a magreza dos juvenis -, que imaginava que as discussões, os acasalamentos, a desordem e a vontade de prosperar eram coisa de gente, mais do que coisa de pardal.
No meu colégio, o beiral do ginásio constituía um grande viveiro em que a conversa desses pássaros lembrava um mexerico alto de ninho em ninho, sem segredos, um viveiro igual à política nesse tempo. "Eles discutem muito, mas depois são todos amigos", explicava a minha mãe. A tese não estaria de todo certa, porque de facto........
