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O IPO da SpaceX é o princípio do fim

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02.06.2026

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A SpaceX anunciou o seu IPO (oferta pública inicial de ações) que será a maior da história procurando levantar 75 mil milhões de dólares a uma avaliação que ronda os 1,8 milhares de milhões de dólares. Para termos noção do que significam estes valores, o dinheiro que Elon Musk procura levantar junto dos investidores iguala o valor das 8 maiores empresas do PSI — EDP, JM, BCP, Galp, Sonae, Nos, Navigator e REN. Mas ao comprar estas empresas os investidores estariam a comprar 100 mil milhões de receita e 5 mil milhões de lucros anuais. Ao colocar este mesmo valor na SpaceX estão a comprar 4% de uma empresa que gera menos de 20 mil milhões de receitas e tem 5 mil milhões de prejuízos! Usando outros referenciais, a avaliação proposta pela SpaceX é 5 vezes o valor do PIB português e igual ao valor das 5 maiores empresas europeias que geram no conjunto 60 mil milhões de lucros anuais. E isto, por uma empresa que não só tem prejuízos como está a consumir 9 mil milhões por trimestre e não prevê lucros nos próximos anos. 

É natural que, na fase final dos ciclos especulativos com as emoções ao rubro e o FOMO (Fear Of Missing Out) a comandar decisões, olhemos para estes números absurdos e digamos — há uma narrativa que permite avaliar a SpaceX desta forma. E qual é essa a narrativa? Cidades em Marte com 1 milhão de pessoas, centros de dados no espaço para servir a economia de IA e uma estimativa de dimensão de mercado que é maior que a economia americana. E isto prometido por uma pessoa que, para além de já ser CEO de várias outras empresas, ao mesmo tempo vai ser ‘chairman’, CEO e CTO da SpaceX e detém 10% de ações especiais que lhe dão 52,5% do direitos de voto para sempre. Ou seja, Elon Musk e os investidores privados e gestores a ele associados........

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