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Fissuras

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10.10.2026

Estou sentada diante do computador há dez minutos. Olho pela janela, distraio-me com o sol de outubro, volto a encarar a tela branca, suspiro e rendo-me às evidências. Escrever precisa de um ponto de partida, de uma fissura, de qualquer coisa de minúsculo ou grandioso, de inédito ou vasculhado, de simples ou rebuscado. Escrever parte de uma sensação de apneia, de um novelo cheio de nós; no fundo, daquilo que nos torna humanos.

Não tenho nada para derramar sob a forma de crónica por estes dias. Não porque esteja vazia, pelo contrário, passo por um momento da vida que me transborda de dualidades: ora coragem, ora pânico; ora vontade, ora inércia; ora energia, ora exaustão – e isso poderia ser o suficiente........

© JM Madeira