Aeroporto de N’Djili: a taxa de embarque era só o princípio
Quem nunca trabalhou na África subsaariana dificilmente imagina os níveis de caos, improvisação e anarquia que por vezes podem reinar por aquelas paragens. É um continente único, que ou se ama ou se odeia, mas que não tem paralelo no planeta. De África regressa-se quase sempre com histórias para contar. Algumas tão extraordinárias que, se não tivéssemos estado lá, dificilmente acreditaríamos nelas.
Uma das minhas preferidas aconteceu no antigo Zaire (actual República Democrática do Congo), nos anos 90, no aeroporto de N’Djili, em Kinshasa.
Mobutu Sese Seko governou o Zaire entre 1971 e 1997, construindo no topo do Estado um sofisticado sistema cleptocrático. À medida que as instituições se degradavam e os funcionários deixavam de receber regularmente os seus salários, estes descobriram uma solução simples, embora pouco ortodoxa: cobrar directamente aos cidadãos.
N’Djili era uma extraordinária demonstração prática desta teoria.
Embarcar ou desembarcar naquele aeroporto não era tarefa recomendável a pessoas particularmente apegadas à ordem, à organização ou, sobretudo, à ideia ingénua de que um aeroporto serve para apanhar aviões.
O passageiro iniciava a sua peregrinação. Apresentava os documentos ao primeiro........
