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Ginásios: Ferro, algoritmos e a selfie do balneário

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Às dez da noite ainda há ginásios com as luzes todas acesas. Lá dentro, uma fila de passadeiras virada para a montra, cada uma com o seu corredor de auscultadores nos ouvidos, a correr para lado nenhum a uma velocidade impressionante. Pareceu-me um aquário. Um aquário com Wi-Fi e televisões que mostram a perfeição do corpo e vídeos passados em loop com demonstração de exercícios e outfits perfeitos para aquele momento.

Nada contra. Quem também acorda às seis para treinar merece o meu respeito. Mas aquela imagem ficou comigo, porque resume bem o que os ginásios se tornaram: espaços abertos das seis da manhã às dez da noite, todos os dias, cheios de gente que quer resultados. E quer-os para ontem.

Os números confirmam a febre. Portugal nunca teve tantos ginásios: 1282, segundo os dados mais recentes do setor, com cerca de 780 mil praticantes e receitas acima dos 345 milhões de euros. Em 2021, ainda a sair da pandemia, eram uns 800. Abre um em cada esquina, e a Madeira não é exceção: entre cadeias low-cost, estúdios boutique e "boxes", já há bairros onde é mais fácil encontrar um agachamento do que uma mercearia.

De um lado, o ginásio do ferro. Pesos livres, discos que fazem barulho ao cair, cheiro a magnésio e a esforço, um rádio que só passa rock dos anos 90 e um senhor de camisola cavada que está lá desde que o........

© JM Madeira